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(Z1) 2020 - CM de Vila do Bispo - Um concelho a descobrir

Pescadores do concelho de Vila do Bispo ameaçam boicotar viveiro de mexilhão previsto entre praias das Furnas e da Salema

Pescadores  do  concelho  de  Vila do  Bispo ameaçam  boicotar  viveiro  de mexilhão  previsto  entre  praias das Furnas e da  Salema

Os pescadores do concelho de Vila do Bispo “poderão fechar a barra para boicotar” a exploração de mexilhão no viveiro de aquacultura com 282 hectares projectado entre a Praia das Furnas e a Praia da Salema, designado por Finisterra II.

O aviso é do presidente da Junta de Freguesia de Budens, Fábio Mateus, em declarações ao ‘site’ «Correio de Lagos, e surge após ter sido surpreendido com um edital das autoridades marítimas, apontando o dia 05 de Fevereiro de 2020 para se pronunciar sobre o projecto.

O autarca pediu um parecer à Universidade do Algarve e só aguarda até sexta-feira, dia 24 de Janeiro, pelo secretário de Estado das Pescas, José Apolinário, e pelo ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, para tomar uma posição sobre a nova aquacultura de mexilhão, cujos efeitos considera serem bastante nefastos para esta zona do barlavento.

 

Com esta aquacultura de mexilhão vai destruir-se o que resta da pesca artesanal e irá matar também o perceve

 “Vai roubar a área em que a pesca artesanal trabalha. Onde aqueles pescadores normalmente ainda trabalham, com alcatruzes de barro antigos e redes para apanhar salmonetes, e onde umas vinte pessoas ainda se dedicam a esse tipo de pesca. Com esta aquacultura de mexilhão, vai destruir-se o que resta da pesca artesanal. Implementa-se mais mexilhão na costa, ao desovar a ova vai agarrar-se à costa e minar toda a rocha. E irá matar também o perceve. Há estudos da Universidade do Algarve, que referem que o mexilhão está a apoderar-se da área do perceve. Isto porque nesta costa o mexilhão não é predominante; é mais o perceve. Agora, passa a ser o mexilhão porque vai ser implementado em mar aberto”, alerta, revoltado, Fábio Mateus.

E, com insistência, sublinha: “o ser humano será o mais afectado porque vai deixar de laborar. Temos aldeias tradicionais da pesca, em que as pessoas vêm visitar o nosso concelho para ver a pesca, as aldeias piscatórias e depois... não há pesca.”

 

Mais de cem pescadores afectados

Só na Salema, “existem nove barcos”, prossegue o autarca de Budens, “se metermos a duas pessoas por barco… Depois, temos os pescadores de Sagres e os de Burgau, que também pescam aqui. No total, são mais de cem pescadores. Já o viveiro de aquacultura para o mexilhão vai empregar cinco ou seis pessoas. Ou seja, estão a tirar o sustento de cem para meter cinco!” - observa Fábio Mateus, apanhado de surpresa com um edital recebido na Junta de Freguesia de Budens, que foi logo contestado.

 

Prazo para contestar termina no dia 05 de Fevereiro

“O edital refere que a concessão já está atribuída e temos desde o dia 15 de Janeiro até 05 de Fevereiro de 2020 para contestar. Já me dirigi à Câmara Municipal de Vila do Bispo, em reunião do executivo para contestar esse edital e o executivo deu-nos o apoio. Neste momento, estamos a elaborar um documento para enviar ao secretário de Estado das Pescas e ao ministro do Mar, contestando essa exploração de mexilhão nesta zona”, acrescenta. Se a nova aquacultura for mesmo por diante, “vai roubar, e muito, à pesca e a este concelho”, reforça Fábio Mateus, lamentando o facto de o prazo para contestar ser “muito curto.”

 

“É deixar de pescar desde a Salema até Sagres”

Falando ao ‘site’ do «Correio de Lagos» nesta quarta-feira, 22 de Janeiro, após a sessão solene na Câmara Municipal de Vila do Bispo, integrada nas comemorações do Dia de São Vicente, feriado municipal, o autarca de Budens até já admite incentivar acções de boicote a este projecto de aquacultura de mexilhão. “Os pescadores do concelho de Vila do Bispo podem fechar a barra. É uma hipótese. Foram criadas outras zonas de aquacultura também com ostras que já roubam, e muito, o local de pesca. Agora, se criarem esta, então… é deixar de pescar desde a Salema até Sagres. Estamos a falar de milhas, milhas e milhas”, conclui o autarca.

 

 

Carlos Conceição

José Manuel Oliveira

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